Castelo de Leiria
História
Antecedentes

Não
existem informações seguras acerca da primitiva ocupação humana do
sítio do castelo, embora a região de Leiria seja rica em testemunhos
arqueologicos pré-históricos e
romanos.
Apenas se sabe que antes da construção do mesmo poderá ter existido uma
ermida e uma alcáçova no local. No entanto é do conhecimento que à
época da
Reconquista cristã da
península Ibérica, a região constituía, no
século XII, um ponto nevrálgico da defesa da fronteira sul do
Condado Portucalense. Viria a tornar-se um próspero centro económico medieval, graças ao comércio de cereais e produtos alimentares (
trigo,
azeite,
vinho,
frutas), de
madeiras (
pinhal de Leiria), de
minérios (
ferro,
carvão,
sal-gema,
calcário) e de produtos artesanais (
lanifícios e tecelagens,
couros, olarias, ferragens).
O castelo medieval
Castelo de Leiria, Portugal: Vista da cidadela de D. Dinis (sécs. XIII-XIV).
Ao consolidar o seu governo a partir de
1128, o jovem
D. Afonso Henriques (1112-1185), planeou alargar os seus domínios, então limitados a norte pelo
rio Minho a sudoeste pela
serra da Estrela e a sul pelo
rio Mondego. Para esse fim, a partir de
1130, invadiu por diversas vezes o território vizinho da
Galiza a norte, ao mesmo tempo em que se mantinha atento à fronteira sul, constantemente atacada pelos
muçulmanos.
Para defesa desta linde sul, estrategicamente fez erguer, de raiz, um novo
castelo entre
Coimbra e
Santarém (
1135), no alto de uma elevação rochosa, um pouco ao sul da confluência do
rio Lis com o
rio Lena, a cuja guarnição, sob o comando de D.
Paio Guterres, foi confiada a defesa da nova fronteira que ali tentava firmar (cf.
Brevis historia Gothorum).
À povoação que também iniciava, e que passaria a designar o respectivo
castelo, chamou de Leiria. Dois anos mais tarde, a povoação e o seu
castelo foram assaltados pelo
Califado Almóada, que se aproveitaram de uma investida das forças de D. Afonso Henriques à Galiza (
1137). Após uma encarniçada resistência, Paio Guterres e seus homens foram forçados a abandonar as suas posições.
De volta ao reino, o monarca organizou uma contra-ofensiva para
conter o avanço dos mouros, cujas forças combinadas derrotou na épica
Batalha de Ourique (
25 de Julho de
1139). Ao final desse mesmo ano, os muçulmanos, cientes de que o monarca Português havia encetado nova campanha contra o rei de
Leão,
na Galiza, atacaram e novamente conquistaram Leiria e seu castelo,
cujos defensores, na ocasião, sofreram pesadas baixas, vindo seu
alcaide, D. Paio Guterres a cair prisioneiro. De volta às mãos de D.
Afonso Henriques (
1142), o monarca outorgou
Carta de Foral à povoação, determinando a reconstrução e reforço da estrutura do castelo, no qual fez erguer uma
Capela sob invocação de
Nossa Senhora da Pena (entre
1144 e
1147).
Depois de 2 vezes perdido e 2 vezes reconquistado, o castelo de
Leiria pertenceria de forma permanente ao Condado Portucalense, ajudando
na conquista de Santarém e Lisboa e, logo, na construção do país.
O seu sucessor,
D. Sancho I (1185-1211), concedeu novo foral à vila (
1195), determinando erguer-lhe uma cerca amuralhada
[1]. O desenvolvimento da vila era tão expressivo à época, que a fez sede das
Cortes de 1254, convocadas por
D. Afonso III (1248-1279).
Castelo de Leiria: Portugal:
ábside da Igreja de Santa Maria (esquerda) e Torre dos Sinos.
Outros monarcas dedicaram atenção a Leiria, destacando-se
D. Dinis (1279-1325), que ali residiu por diversas ocasiões, vindo a doar, em Julho de
1300, à
rainha Santa Isabel, a vila e o seu castelo, escolhidos para a criação de seu herdeiro, o príncipe
D. Afonso
(nesta altura os Paços localizavam-se no antigo seminário). É a D.
Dinis que se atribui a adaptação do castelo à função de palácio, a
reconstrução da capela de Nossa Senhora da Pena e o início da construção
da poderosa
Torre de Menagem (
8 de Maio de
1324),
poucos meses antes do seu falecimento. Esta torre foi concluída no
reinado de seu sucessor, conforme inscrição epigráfica no seu exterior.
A vila desenvolveu-se de tal forma que foi lá que se deu as Cortes de 1254, convocadas por D. Afonso III, as primeiras cortes
[1]
onde foram chamados representantes da nobreza, clero e povo. Desde
então o local foi muita vez escolhido para a realização de Cortes, a
base sobre a qual se construiria o que hoje é o Parlamento.
Sob o reinado de
D. Fernando (1367-1383), quando aqui se reuniram as
Cortes de 1372, a vila encontrava-se em expansão até às margens do rio Lis.
Sob
D. João I (1385-1433), que aqui celebrou, em
1401, o casamento de seu filho D. Afonso (futuro
conde de Barcelos e
duque de Bragança), iniciaram-se os trabalhos de edificação dos chamados
Paços da Rainha ou
Paços Novos, nos quais se destacam os vãos góticos e o espaço de suas salas e câmaras.
D. Manuel I (1495-1521) concedeu Foral Novo a Leiria (
1510), alçada, em
1545, à condição de cidade por
D. João III (1521-1557).
História
Antecedentes
Não
existem informações seguras acerca da primitiva ocupação humana do
sítio do castelo, embora a região de Leiria seja rica em testemunhos
arqueologicos pré-históricos e
romanos.
Apenas se sabe que antes da construção do mesmo poderá ter existido uma
ermida e uma alcáçova no local. No entanto é do conhecimento que à
época da
Reconquista cristã da
península Ibérica, a região constituía, no
século XII, um ponto nevrálgico da defesa da fronteira sul do
Condado Portucalense. Viria a tornar-se um próspero centro económico medieval, graças ao comércio de cereais e produtos alimentares (
trigo,
azeite,
vinho,
frutas), de
madeiras (
pinhal de Leiria), de
minérios (
ferro,
carvão,
sal-gema,
calcário) e de produtos artesanais (
lanifícios e tecelagens,
couros, olarias, ferragens).
O castelo medieval
Castelo de Leiria, Portugal: Vista da cidadela de D. Dinis (sécs. XIII-XIV).
Ao consolidar o seu governo a partir de
1128, o jovem
D. Afonso Henriques (1112-1185), planeou alargar os seus domínios, então limitados a norte pelo
rio Minho a sudoeste pela
serra da Estrela e a sul pelo
rio Mondego. Para esse fim, a partir de
1130, invadiu por diversas vezes o território vizinho da
Galiza a norte, ao mesmo tempo em que se mantinha atento à fronteira sul, constantemente atacada pelos
muçulmanos.
Para defesa desta linde sul, estrategicamente fez erguer, de raiz, um novo
castelo entre
Coimbra e
Santarém (
1135), no alto de uma elevação rochosa, um pouco ao sul da confluência do
rio Lis com o
rio Lena, a cuja guarnição, sob o comando de D.
Paio Guterres, foi confiada a defesa da nova fronteira que ali tentava firmar (cf.
Brevis historia Gothorum).
À povoação que também iniciava, e que passaria a designar o respectivo
castelo, chamou de Leiria. Dois anos mais tarde, a povoação e o seu
castelo foram assaltados pelo
Califado Almóada, que se aproveitaram de uma investida das forças de D. Afonso Henriques à Galiza (
1137). Após uma encarniçada resistência, Paio Guterres e seus homens foram forçados a abandonar as suas posições.
De volta ao reino, o monarca organizou uma contra-ofensiva para
conter o avanço dos mouros, cujas forças combinadas derrotou na épica
Batalha de Ourique (
25 de Julho de
1139). Ao final desse mesmo ano, os muçulmanos, cientes de que o monarca Português havia encetado nova campanha contra o rei de
Leão,
na Galiza, atacaram e novamente conquistaram Leiria e seu castelo,
cujos defensores, na ocasião, sofreram pesadas baixas, vindo seu
alcaide, D. Paio Guterres a cair prisioneiro. De volta às mãos de D.
Afonso Henriques (
1142), o monarca outorgou
Carta de Foral à povoação, determinando a reconstrução e reforço da estrutura do castelo, no qual fez erguer uma
Capela sob invocação de
Nossa Senhora da Pena (entre
1144 e
1147).
Depois de 2 vezes perdido e 2 vezes reconquistado, o castelo de
Leiria pertenceria de forma permanente ao Condado Portucalense, ajudando
na conquista de Santarém e Lisboa e, logo, na construção do país.
O seu sucessor,
D. Sancho I (1185-1211), concedeu novo foral à vila (
1195), determinando erguer-lhe uma cerca amuralhada
[1]. O desenvolvimento da vila era tão expressivo à época, que a fez sede das
Cortes de 1254, convocadas por
D. Afonso III (1248-1279).
Castelo de Leiria: Portugal: ábside da Igreja de Santa Maria (esquerda) e Torre dos Sinos.
Outros monarcas dedicaram atenção a Leiria, destacando-se
D. Dinis (1279-1325), que ali residiu por diversas ocasiões, vindo a doar, em Julho de
1300, à
rainha Santa Isabel, a vila e o seu castelo, escolhidos para a criação de seu herdeiro, o príncipe
D. Afonso
(nesta altura os Paços localizavam-se no antigo seminário). É a D.
Dinis que se atribui a adaptação do castelo à função de palácio, a
reconstrução da capela de Nossa Senhora da Pena e o início da construção
da poderosa
Torre de Menagem (
8 de Maio de
1324),
poucos meses antes do seu falecimento. Esta torre foi concluída no
reinado de seu sucessor, conforme inscrição epigráfica no seu exterior.
A vila desenvolveu-se de tal forma que foi lá que se deu as Cortes de 1254, convocadas por D. Afonso III, as primeiras cortes
[1]
onde foram chamados representantes da nobreza, clero e povo. Desde
então o local foi muita vez escolhido para a realização de Cortes, a
base sobre a qual se construiria o que hoje é o Parlamento.
Sob o reinado de
D. Fernando (1367-1383), quando aqui se reuniram as
Cortes de 1372, a vila encontrava-se em expansão até às margens do rio Lis.
Sob
D. João I (1385-1433), que aqui celebrou, em
1401, o casamento de seu filho D. Afonso (futuro
conde de Barcelos e
duque de Bragança), iniciaram-se os trabalhos de edificação dos chamados
Paços da Rainha ou
Paços Novos, nos quais se destacam os vãos góticos e o espaço de suas salas e câmaras.
D. Manuel I (1495-1521) concedeu Foral Novo a Leiria (
1510), alçada, em
1545, à condição de cidade por
D. João III (1521-1557).
Fonte:wikipedia